Muito vem sendo dito, escrito e debatido nos últimos tempos sobre Inovação. Inovação tecnológica, em produtos ou serviços, inovação aplicada à estratégias de comunicação e marketing, inovação em gestão de pessoas, processos, negócios e até ao modo com hoje consumimos e somos impactados por cada uma destas coisas. Mas o que é inovação, afinal? Bom... Depende. Ou pelo menos é isso o que eu acho. Depende do que está sendo pensado, planejado, construído, quando, para quem e em que contexto. Quer ver?
Em 2000, depois de seguidos ciclos de ascensão, Bill Gates tentou emplacar um tal Tablet PC. “Em cinco anos este será o formato de PC mais popular e vendido nos EUA”,
disse ele. E... Pois, é! Não rolou. Ao menos não a “versão Microsoft” da coisa. Passada pouco mais de uma década e aí está o iPad garantindo desde o segundo
trimestre de 2012 a liderança da Apple no mercado global de computadores portáteis. Agora
se o rebento da Apple de Steve Jobs foi
tão bem assimilado pelo mercado, então porque diabos o “iPad da Microsoft” não convenceu? Aliás, porque
a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar do Tablet PC?
Há
quem diga que o mercado ainda não estivesse pronto para ele há dez anos. Mas
também há quem suspeite de que insistência do próprio Gates em itens acessórios
como caneta e teclado removível tenha sido a grande responsável pelo insucesso.
Ou talvez um pouco das duas coisas. No contexto daquela década talvez realmente
não houvesse muitos motivos para usá-lo, principalmente se exigisse itens
adicionais nada práticos. Comparativamente, em meados de 2010 - quando lançado
o primeiro iPad - já havíamos experimentado os benefícios do mobile,
através dos smartphones. Internet sem
fio, games, aplicativos, e-books, sites e plataformas desenvolvidos especialmente
para o mobile. Fazia mais sentido ter um tablet como agora era nos apresentado.
O
exemplo perfeito do modo como algumas empresas investem em tecnologia, enquanto
outras investem em proporcionar a melhor
experiência. Porque naquele novo contexto, sim, o iPad era uma boa ideia. Uma
ideia reinventada, aperfeiçoada e inserida em um novo contexto - mais coerente
- de interação. E essa talvez seja a real essência
da inovação: O “como” e não o “o que”. Uma ideia mal executada, mal
compreendida, pouco aplicável ou descontextualizada é só uma ideia. O oposto
disso, constrói marcas inovadoras e lideres em seus segmentos.
Não foi assim que o Google desbancou o Yahoo Search - buscador líder na época - oferecendo além dos melhores resultados, uma experiência de busca mais interessante do que aquela disponível até então? Não foi assim que o número de usuários do Facebook chegou a 1 bilhão, reinventando uma experiência de interação para a qual mIRC, ICQ, Orkut e MSN abriram as portas anos antes? Achava coincidência que três das maiores e mais valiosas marcas do mundo - Apple, Google e Facebook - tenham nascido desta premissa de inovação e ganho o mundo com a filosofia de oferecer cada vez mais experiências com as quais o consumidor escolha se envolver? Não sei, não.












